Performance

Tesamorelina

Tesamorelina: reduz gordura visceral. Análogo do GHRH que estimula liberação natural de GH. Aprovada pela FDA para lipodistrofia associada ao HIV.

Tesamorelina (trans-3-hexenoic acid-modified human GHRH(1-44)) é um peptídeo sintético de 44 aminoácidos idêntico ao GHRH humano endógeno, com adição de um grupo trans-3-hexenoico no N-terminal que aumenta estabilidade e biodisponibilidade. C221H366N72O67S, ~5.196 g/mol.

Desenvolvida pela Theratechnologies Inc. e aprovada pela FDA como Egrifta / Egrifta SV para redução do excesso de gordura abdominal em pacientes com lipodistrofia associada ao HIV. É o único análogo de GHRH atualmente aprovado pela FDA — os demais (CJC-1295, sermorelina) são usados off-label.

Diferente do HGH exógeno, estimula produção pituitária natural, mantendo padrão pulsátil e feedback hipotalâmico-pituitário — potencialmente reduzindo risco de supressão pituitária.

Mecanismo de ação

Liga-se ao receptor GHRH (GHRH-R) nos somatotrofos da hipófise anterior, disparando cascatas de sinalização que estimulam síntese e secreção de GH endógeno em padrão pulsátil (não a elevação contínua do HGH exógeno).

GH liberado estimula produção hepática de IGF-1 — elevação de ~50–100 ng/mL do basal. IGF-1 media efeitos de composição corporal (lipólise, síntese proteica). Efeitos glicêmicos são complexos: IGF-1 melhora sensibilidade à insulina, mas GH pode causar resistência — rótulo FDA inclui monitorização glicêmica.

Redução de gordura visceral: GH ativa lipase hormônio-sensível em adipócitos, hidrolisando triglicerídeos em AGL e glicerol. Gordura visceral responde particularmente bem por maior densidade de β-adrenérgicos. Estudos: -10 a -18% de gordura visceral por TC em 26–52 semanas.

Neuroproteção/cognição: RCT em idosos mostrou melhora em função executiva e memória verbal após 20 semanas — presumivelmente via propriedades neuroprotetoras do IGF-1 (sobrevivência neuronal, plasticidade sináptica, redução de neuroinflamação).

Protocolos de dosagem

Aprovado (Egrifta SV): 1,4 mg SC 1×/dia. O frasco contém 2 mg de pó, mas apenas 0,35 mL dos 0,5 mL reconstituídos (= 1,4 mg) são administrados.

Standard off-label: 1–1,4 mg SC 1×/dia, manhã em jejum ou antes de dormir; muitos iniciam em 1 mg para avaliar tolerância antes de subir para 1,4 mg.

Conservador: 1 mg/dia — limite inferior dos estudos dose-resposta Fase II, ainda produz redução relevante de adiposidade visceral.

Ciclagem: uso aprovado é contínuo. Alguns praticantes usam 5-on/2-off ou 8–12 sem on / 4 sem off para evitar dessensibilização teórica — sem dados clínicos que suportem. Ensaios pivotais usaram dose diária contínua por 26–52 semanas. Descontinuação leva à recomposição gradual da gordura visceral — uso contínuo pode ser necessário para manter resultados.

Administração

Via SC em abdome, com rotação de sítios para evitar lipo-hipertrofia. Seringa de insulina, 45–90°, injeção lenta, sem friccionar.

Timing: injeção matinal em jejum (≥2 h após comer, 30–60 min antes de comer) aproveita a queda fisiológica de insulina (insulina embota a liberação de GH). Alternativa: antes de dormir alinha com surto noturno de GH. Evitar aplicar 2–3 h após carboidratos/gorduras — glicose e AGL elevados inibem secreção de GH.

Inspecionar solução antes: deve estar límpida e incolor.

Reconstituição e armazenamento

Pó liofilizado — reconstituir com água bacteriostática (preferida em frascos multi-dose). Injetar pela parede do frasco, não sobre o pó. Girar suavemente até dissolver — nunca agitar.

Concentração padrão: 2 mL de água bacteriostática em frasco de 2 mg = 1 mg/mL, permitindo dosagem em seringa de insulina.

Pó não reconstituído: 2–8 °C, protegido da luz. Reconstituído com bacteriostática: refrigerar 2–8 °C, usar em 14–28 dias. Com água estéril: janela mais curta. Nunca congelar. Descartar se turvo ou com partículas.

Timeline de resultados

Semanas 1–4: sem mudanças visíveis significativas; GH e IGF-1 se elevam internamente; alguns relatam melhora do sono, energia e recuperação.

Semanas 4–8: melhoras sutis de composição, redução de "inchaço" abdominal, melhora da qualidade da pele, IGF-1 laboratorial elevado.

Semanas 8–16: reduções mais pronunciadas de gordura visceral — significância estatística em 12–16 semanas nos ensaios; melhor definição abdominal.

Semanas 16–26: melhora progressiva contínua; Fase III mostrou ~15–18% de redução de gordura visceral (TC) em 26 semanas; melhoras em triglicerídeos.

>26 sem: extensão de 52 semanas manteve benefícios com uso contínuo.

Evidências científicas

Fase III pivotal (Studies 1 e 2): >800 pacientes HIV+ com lipodistrofia — Study 1 mostrou redução média de 15,2% de gordura visceral (TC) vs aumento de 5% no placebo em 26 semanas. Estatisticamente significativo em ambos.

Cardiovascular: estudo JCEM mostrou redução de ~50 mg/dL em triglicerídeos e melhora da razão CT/HDL.

Cognição (Baker et al., Ann Neurol 2020): RCT em idosos saudáveis e com CCL — melhora significativa em função executiva e memória verbal, com biomarcadores no LCR sugerindo saúde neuronal aprimorada.

NAFLD: pesquisa mostrou redução de gordura hepática — potenciais aplicações além da indicação atual.

Stacks

Tesamorelina + Ipamorelina: GHRH + GHRP — vias complementares (receptor GHRH + receptor ghrelina/GHS-R1a) podem produzir maior elevação de GH que qualquer um sozinho. Ipamorelina é o GHRP mais pareado por seletividade (mínimo efeito em cortisol/prolactina).

Tesamorelina + CJC-1295: ambos GHRH análogos — sobreposição de alvos torna o benefício aditivo menos estabelecido que Tesa+Ipa. Pode ser redundante.

Tesamorelina + estilo de vida: combinação mais bem evidenciada — ensaios mostraram benefícios aditivos a exercício estruturado e otimização dietética. Abordagem mais pragmática.

Efeitos colaterais e segurança

Comuns (>5%): reações no sítio (eritema, prurido, dor, edema) em ~8–13%, diminuem com uso e rotação; artralgia e mialgia em ~10–13% (relacionadas a retenção hídrica GH-mediada); edema periférico e parestesias em ~5–6%.

Menos comuns: sintomas de túnel do carpo, intolerância à glicose, hipersensibilidade.

Glicemia: risco ~3,3× maior de desenvolver diabetes vs placebo (~5% vs 1% em 26 semanas) — monitorar em pré-diabéticos/DM2. GH antagoniza ação da insulina.

Contraindicações: malignidade ativa; disrupção do eixo hipotálamo-pituitário (hipofisectomia, tumor pituitário); gravidez; hipersensibilidade à tesamorelina ou manitol.

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