Performance

GHRP-2

GHRP-2 é o GHRP mais potente, com perfil mais limpo que o GHRP-6. Conheça mecanismo, dosagem, efeitos, stacking e status legal.

GHRP-2 (Growth Hormone Releasing Peptide-2), nome farmacêutico pralmorelina, é um hexapeptídeo sintético D-Ala-D-2Nal-Ala-Trp-D-Phe-Lys-NH2 (C45H55N9O6, ~817,97 g/mol, CAS 158861-67-7). Aminoácidos D não-naturais conferem resistência enzimática e maior afinidade ao receptor.

Desenvolvido a partir do trabalho pioneiro de Cyril Y. Bowers (anos 1980–90). Considerado o GHRP mais potente por pico de liberação de GH entre os GHRPs tradicionais (GHRP-1/2/6 e hexarelina).

Aprovado no Japão pelo PMDA (out/2004) como agente diagnóstico (Kaken Pharmaceutical, marca GHRP Kaken) para avaliação de deficiência de GH em adultos e crianças ≥4 anos. Direitos NA sublicenciados à Wyeth, mas nunca avançou para aprovação FDA. WADA S2.2.4 — proibido em todos os momentos.

Mecanismo de ação

Agonista do GHS-R1a (receptor de secretagogo de GH tipo 1a) — mesmo receptor da grelina endógena — expresso em somatotrofos da hipófise anterior e núcleo arqueado hipotalâmico. Ativação de vias Gq/11 → PLC → IP3/DAG → mobilização de Ca²⁺ intracelular → exocitose de grânulos de GH.

Interage também com receptor scavenger CD36, o que parece mediar efeitos citoprotetores/cardiovasculares documentados — independentes da liberação de GH.

Trabalha dentro do feedback endógeno — feedback negativo pela somatostatina permanece intacto, amplificando pulsos naturais em vez de elevação supra-fisiológica contínua (dificulta overshoot perigoso, diferente do hGH exógeno).

Perfil de GH: dose única SC produz pico plasmático de 30–100 ng/mL em 15–30 min (8–20× o basal). Dose-resposta até ~2 mcg/kg; acima disso, platô. Combinado com análogo GHRH: sinergia 2–3× vs isolado. Arvat et al. 1997: 1 mcg/kg superou GHRH máximo em jovens saudáveis.

Cortisol/prolactina: estimulação moderada do eixo ACTH-cortisol (comparável a hCRH) e prolactina (menor que TRH) — posição intermediária entre GHRP-6 (mais forte) e ipamorelina (praticamente nula).

Apetite: agonista de grelina — estimula ingesta (Laferrere 2005, JCEM), mas moderadamente vs GHRP-6.

Protocolos de dosagem

Sem diretrizes FDA. Faixa padrão: 100–300 mcg por injeção SC, 1–3×/dia. Dose de saturação: ~1–2 mcg/kg de peso — acima disso, resposta plateia.

Iniciante: 100 mcg 1×/dia antes de dormir por 8–12 sem — janela mais importante por coincidir com maior pulso endógeno noturno de GH.

Intermediário: 150–200 mcg 2×/dia (manhã em jejum + antes de dormir) por 8–12 sem — captura segundo pulso enquanto insulina em jejum está baixa.

Avançado: 200–300 mcg 2–3×/dia, geralmente com análogo GHRH (CJC-1295 sem DAC ou Mod GRF 1-29), por 8–16 sem — sinergia 2–3×.

Ciclagem: 8–12 sem on / 4–8 sem off para preservar sensibilidade do receptor. Alguns usam 5 dias on / 2 dias off semanal — Bowers observou atenuação de resposta após 5 dias consecutivos, reforçando a necessidade de pausas.

Timing: em jejum, ≥30 min antes de comer ou 2+ h após refeição. Glicose e insulina elevadas embotam significativamente a resposta de GH — evitar refeições de alto índice glicêmico próximas ao horário.

Administração

SC em abdome, coxa ou deltoide. Seringa de insulina 29–31G, 45–90°, injeção lenta.

Rotacionar sítios para prevenir lipodistrofia. Abdome SC é o mais conveniente.

Formulações intranasais (KP-102 LN) foram investigadas — biodisponibilidade menor e menos confiável que injetável.

Reconstituição e armazenamento

Pó liofilizado branco. Reconstituir com água bacteriostática em temperatura ambiente — injetar pela parede do frasco, girar suavemente até dissolver, nunca agitar. Solução deve ficar límpida e incolor.

Padrão: 5 mg + 2,5 mL bacteriostática = 2 mg/mL (2000 mcg/mL) — dose de 200 mcg = 0,1 mL (10 UI de seringa insulina U-100). Ou 10 mg + 5 mL para mesma concentração.

Pó não reconstituído: -20 °C para longo prazo (≥12 meses) ou 2–8 °C por períodos mais curtos. Reconstituído: 2–8 °C, usar em 3–4 semanas. Nunca congelar reconstituído. Proteger da luz. Usar bacteriostática (não estéril) para multi-dose.

Timeline de resultados

Sem 1–2: melhora de qualidade de sono nos primeiros dias, sonhos vívidos (mais sono de ondas lentas), leve aumento de energia.

Sem 3–4: recuperação de exercício mais rápida, menor dor muscular, alguns relatam melhora de hidratação da pele.

Sem 6–8: mudanças mensuráveis de composição corporal, redução gradual de gordura SC, melhor turgor muscular, conforto articular.

Sem 10–12: mudanças mais significativas de composição, ganhos de força, recuperação e vitalidade — melhoras de pele/cabelo/unhas às vezes relatadas.

Sem 12–16+: benefícios cumulativos no pico — considerar ciclagem para preservar sensibilidade do receptor.

Resposta varia com idade, GH basal, dieta, treino, sono e genética. Indivíduos mais velhos com GH basal menor relatam efeitos mais pronunciados.

Evidências científicas

Aprovação japonesa (pralmorelina 2004): dose IV única distingue de forma confiável indivíduos GH-suficientes (GH pico >15 mcg/L) de GH-deficientes graves (<15 mcg/L).

Pediátrico (Mericq/Bowers 1998): 6 crianças pré-púberes GH-deficientes, 8 meses, doses SC escalonadas (0,3, 1,0, 3,0 mcg/kg/dia) — aumentos dose-dependentes de secreção noturna de GH, velocidade de crescimento maior durante tratamento vs períodos pré/pós, sem EA/toxicidade. Braço final combinando GHRP-2 + GHRH produziu maior GH.

Perfil hormonal (Arvat et al. 1997): comparação definitiva GHRP-2, hexarelina, GHRH, TRH, hCRH em jovens saudáveis — GHRP-2 e hexarelina superaram GHRH máximo; leve estímulo de prolactina (menor que TRH) e ACTH/cortisol (comparável a hCRH).

Apetite (Laferrere 2005, JCEM): crossover controlado — GHRP-2 aumentou significativamente ingesta calórica em homens saudáveis via receptor de grelina; efeito menos intenso que GHRP-6.

Citoproteção (Berlanga-Acosta 2017): revisão abrangente — evidências pré-clínicas de cardio, neuroproteção e anti-inflamação mediadas por GHRPs, em parte via CD36 e independentes da liberação de GH.

Stacks

+ CJC-1295 (sem DAC) / Mod GRF 1-29: combinação mais usada — GHRH análogo prima somatotrofos, GHRP-2 amplifica sinal via receptor separado, produzindo sinergia 2–3× vs isolado. 100–200 mcg de cada juntos na mesma seringa, 1–3×/dia.

+ CJC-1295 com DAC: meia-vida ~6–8 dias mantém estimulação basal contínua de GHRH; GHRP-2 diário cria pulsos agudos sobre esse background. CJC-DAC 1–2×/semana + GHRP-2 diário.

+ GHRH em pesquisa: teste provocativo combinado para deficiência de GH — sensibilidade diagnóstica maior (usado por Mericq 1998).

Timing/dose padrão de GHRP-2 mantidos; regras de jejum e prioridade pré-dormir aplicam a ambos os peptídeos.

Efeitos colaterais e segurança

Feedback intacto de somatostatina fornece proteção natural contra superprodução de GH.

Comuns (leves e transitórios): fome moderada (< GHRP-6), rubor facial ou no sítio, sonolência transitória (especialmente doses noturnas), retenção hídrica leve, edema periférico, motilidade GI aumentada.

Menos comuns: elevação moderada de cortisol/ACTH (comparável a hCRH); prolactina leve (< TRH); parestesias em extremidades; rigidez articular; tontura pós-injeção.

Raros/teóricos: piora do metabolismo glicêmico com uso prolongado (GH antagoniza insulina); taquifilaxia com dosagem diária contínua; promoção teórica de malignidades pré-existentes via GH/IGF-1 (aplica a toda a classe).

Incidência tende a ser menor que hGH exógeno — GHRP-2 estimula síntese endógena dentro dos limites regulatórios fisiológicos. Estudo pediátrico de 8 meses (Mericq) não reportou EA/toxicidade em nenhuma dose.

Peptídeos relacionados