Semax
Semax é um neuropeptídeo derivado do ACTH(4-7) que aumenta BDNF e modula dopamina/serotonina. Aprovado na Rússia para AVC e distúrbios cognitivos.
Semax é um heptapeptídeo sintético de sequência Met-Glu-His-Phe-Pro-Gly-Pro (813,9 g/mol), composto pelo fragmento ACTH(4-7) — núcleo nootrópico do ACTH — acoplado ao tripeptídeo estabilizador Pro-Gly-Pro.
Desenvolvido no início da década de 1980 no Instituto de Genética Molecular da Academia Russa de Ciências, foi incluído na Lista Russa de Medicamentos Vitais e Essenciais (ZHVLP) em 7 de dezembro de 2011.
Apesar de derivar do ACTH, não tem atividade hormonal — não estimula cortisol nem engaja o eixo HHA. Sua ação é neurotrófica, neuroprotetora e imunomoduladora. Não é aprovado pelo FDA nem pela ANVISA.
Mecanismo de ação
BDNF e NGF: aumenta o mRNA de BDNF no hipocampo e córtex frontal em 30–90 minutos via fosforilação de CREB, ativando cascatas MAPK/ERK, PI3K/Akt e PLCγ — base celular da aprendizagem e memória.
Dopamina e serotonina: não altera de forma marcante os níveis basais, mas eleva o metabólito 5-HIAA para ~180% do basal em 1–4 h e potencializa fortemente a liberação de dopamina em resposta a estímulos (perfil de sensibilização, não estimulante).
Neuroproteção: em modelos de isquemia/reperfusão, aumenta CREB ativo, reduz MMP-9 (protege a barreira hematoencefálica) e reduz JNK ativo (via apoptótica). Também se liga a Cu(II) com alta afinidade, exercendo efeito antioxidante.
Imunomodulação: suprime Il1a, Il1b, Il6, Ccl3 e Cxcl2 após isquemia; desloca o equilíbrio no líquor de pacientes com AVC para IL-10 e TGF-β (anti-inflamatórios) e reduz IL-8 e proteína C-reativa.
Protocolos de dosagem
Não há posologia aprovada pela ANVISA. Os protocolos abaixo vêm das formulações russas aprovadas e da prática comunitária.
Solução 0,1% (padrão, ~50 mcg por gota): 2–3 gotas por narina, 2–3x ao dia (200–900 mcg/dia), em ciclos de 10 a 30 dias — para distúrbios cognitivos, memória, encefalopatia e neuroproteção.
Solução 1% (alta dose, ~500 mcg por gota): 3.000–9.000 mcg/dia por 5 a 14 dias, sob supervisão médica — para AVC isquêmico agudo e atrofia do nervo óptico.
Comunitário — dose inicial: 100–200 mcg intranasal 1x ao dia por 3–4 dias (tolerância); padrão: 200–600 mcg/dia em 1 a 2 aplicações; dose alta: 600–900 mcg/dia. Spray 30 mg/10 mL fornece ~300 mcg por puff.
Timing: sempre pela manhã. Se dividir em duas doses, a segunda antes das 14–15 h — o efeito dopaminérgico atrapalha o sono. Ciclos de 10 a 30 dias (até 60 dias em 600 mcg/dia), com washout de 2 a 4 semanas.
Administração intranasal
A via intranasal aproveita os nervos olfatório e trigêmeo para levar o Semax diretamente ao SNC, evitando primeira passagem hepática e degradação gástrica.
Técnica: limpar as narinas, inclinar a cabeça levemente para frente, aplicar 1 puff em uma narina inspirando suavemente, alternar entre narinas nas doses seguintes e evitar assoar por pelo menos 5 minutos.
Via oral não é viável: o peptídeo é degradado rapidamente por enzimas gastrointestinais.
Reconstituição e armazenamento
Pó liofilizado: armazenar a –20 °C para longo prazo (estável a 2–8 °C por meses). Proteger de luz e ciclos de temperatura.
Reconstituição: 1:1 com água bacteriostática (ex.: 10 mg + 10 mL = 1 mg/mL). Adicionar a água lentamente pela parede do frasco; girar suavemente sem agitar.
Solução reconstituída: manter a 2–8 °C e usar em até 28 dias. Descartar se turva ou com partículas. Para uso nasal, transferir para spray dosador estéril — 0,1 mL de 1 mg/mL = 100 mcg.
Linha do tempo de resultados
Minutos a horas: mais alerta, clareza mental, fluência verbal e leve elevação de humor.
1–2 semanas: melhora de memória de trabalho e atenção, menor fadiga mental em carga cognitiva sustentada.
2–4 semanas ou mais: remodelação sináptica dirigida por BDNF, ganhos de aprendizagem e retenção; em AVC, recuperação motora progressiva; em nervo óptico, ganhos de campo visual e eletrofisiologia.
Evidências clínicas
AVC isquêmico (Gusev et al., 2018 — 110 pacientes): Semax elevou BDNF plasmático de forma sustentada, acelerou a recuperação funcional e melhorou desempenho motor.
Nootrópico: múltiplos estudos russos documentaram ganhos de atenção, memória e aprendizado em voluntários saudáveis e em pacientes com declínio cognitivo; revisão de 15 anos publicada pelos autores originais.
Neuropatia óptica glaucomatosa: melhora de parâmetros visuais e eletrofisiológicos além da terapia neuroprotetora padrão.
TDAH: hipótese formal publicada com base em BDNF e dopamina; pequeno piloto russo em crianças com ganhos de atenção e menor impulsividade — sem ensaios controlados de grande porte.
Modelo Alzheimer (amiloide-β em camundongos): Semax e derivado melhoraram função cognitiva, sugerindo aplicação em neurodegeneração.
Variantes: N-Acetyl Semax e NASA
Semax padrão tem meia-vida plasmática de ~3–5 minutos (os efeitos neurotróficos duram horas).
N-Acetyl Semax: acetilação N-terminal protege a metionina, estende os efeitos downstream para 6–12 h. Dose ~30–40% menor que o padrão (400 mcg ≈ 600 mcg de Semax).
N-Acetyl Semax Amidate (NASA): acetilação N-terminal + amidação C-terminal, meia-vida plasmática ~30 min e maior biodisponibilidade por micrograma — usado em doses ainda menores.
Efeitos colaterais e segurança
Comuns: irritação nasal, ardor ou congestão leve; cefaleia leve; insônia se aplicado à tarde/noite.
Menos comuns: ansiedade ou inquietação passageira em doses altas, náusea, tontura, oscilações discretas de pressão arterial.
Interações: efeitos dopaminérgicos e serotoninérgicos exigem cautela na combinação com ISRS, IRSN, IMAO, antipsicóticos e estimulantes — nenhuma interação formalmente estudada.
Populações não estudadas: gestação, lactação e insuficiência hepática/renal significativa. Sourcing fora de cadeia farmacêutica regulada exige verificação de pureza (certificado de análise).
Comparação: Semax vs Selank
Semax é o acelerador — foco, motivação e neuroplasticidade via dopamina, BDNF e melanocortina.
Selank é o estabilizador — reduz ansiedade e preserva cognição via GABA, serotonina, encefalinas e BDNF.
A combinação (ambos intranasais, em horários alternados) busca foco calmo: estímulo sem agitação e calma sem sedação.
Status legal no Brasil
Este conteúdo é educacional e não substitui aconselhamento médico. No Brasil, o uso de peptídeos é regulado pela ANVISA e depende de prescrição.
Semax não é aprovado pela ANVISA, FDA, EMA, MHRA nem TGA. Na Rússia é prescrição desde 2011 (ZHVLP), incluindo formulações 0,1% e 1%. Fora da Rússia, existe como composto de pesquisa (RUO).
